** Data da publicação 06/01/2022

Guia dos percevejos: principais espécies, como identificá-las e soluções para o manejo

por Germison Tomquelski - Pesquisador da Desafios Agro | Episódio 32

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O manejo de percevejos é um grande desafio aos agricultores. Em geral, esses insetos sugadores se instalam inicialmente na cultura da soja, desde o período vegetativo até o final do reprodutivo. Após a colheita da oleaginosa, os percevejos buscam alternativas para garantir a sobrevivência e tem como fonte de água e nutrientes as plantas daninhas que já estão ali instaladas.

Nesse sentido, o manejo de percevejo deve ser iniciado antes mesmo do plantio da cultura, através da dessecação antecipada. Essa ação ajuda a eliminar as plantas hospedeiras e auxilia na redução da população desses insetos.

Para auxiliar os agricultores no controle de sugadores, convidamos o pesquisador Germison Tomqueslki, da consultoria Desafios Agro, para traçar um panorama da infestação da praga na safra 2021/2022 e os principais desafios enfrentados pelo setor, com relação ao manejo de percevejos e insetos sugadores.

Conheça as principais espécies de percevejos da soja e do milho e saiba como identificá-las

Percevejo marrom (Euschistus heros)

Um dos principais percevejos da soja é o percevejo marrom (Euschistus heros). Esta praga costuma ser identificada em áreas mais quentes, como nas regiões centro-oeste, norte e nordeste do Brasil.

Segundo o especialista, para a identificação desta praga, o agricultor deve observar o dorso, onde está localizada uma mancha em formato de “meia lua” de cor amarela. Além disso, este percevejo possui dois “chifres” na região do pronoto. Outra importante característica para sua identificação é a coloração, que varia desde o marrom (daí que vem o nome) até tons mais escuros, como o preto.

Este percevejo ataca os ramos, hastes da planta e as vagens em formação, causando os maiores danos. Cada percevejo-marrom tem período médio de ataque de 35 dias o que pode gerar perdas de até 30 kg/ha por percevejo/m².

O ciclo de vida desse inseto tem duração de até 116 dias. Isso porque durante o outono, o inseto inicia a fase de diapausa, ou seja, ele permanece em dormência na vegetação de maio até novembro, quando se iniciam os períodos mais quentes.

Do momento da oviposição até chegar à fase adulta passam-se de 28 a 35 dias. Nas fases de ninfa, os insetos medem de um a quatro milímetros. Após isso o percevejo-marrom chega a fase adulta com cerca de 11mm.

 

Percevejo barriga-verde (Diceraeus melacanthus)

Outro inseto sugador que causa enormes danos às lavouras, em especial as culturas de milho, trigo e sorgo, é o percevejo barriga-verde. As duas principais espécies de percevejos do gênero Diceraeus são a furcatus e a melacanthus. A primeira espécie atinge, principalmente, a região do cerrado e a segunda é identificada com mais frequência na região sul do Brasil.

O nome, barriga-verde, é derivado da principal característica desse inseto: O abdômen de ambas as espécies possui cor verde e no seu dorso o marrom e o verde se mesclam para completar as cores.

* Os nomes científicos Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus foram alterados respectivamente para Diceraeus furcatus e Diceraeus melacanthus.

Percevejo barriga-verde (Diceraeus furcatus)

O D. furcatus adulto possui cerca de 10 mm e com pronoto prolongado, em formato de espinhos na mesma cor do dorso. Já o D. melacanthus é relativamente menor, possui 7 mm e os seus espinhos no pronoto é mais pontiagudo e com cores mais escuras do que o seu corpo.

O potencial de dano de ambas as espécies é muito expressivo, principalmente na cultura do milho. Os insetos adultos e ninfas se alimentam nos horários de temperaturas mais amenas na base das plântulas. Além disso, essas pragas injetam toxinas no tecido da planta que podem provocar alterações fisiológicas. Em casos mais severos estas plantas podem morrer com os ataques do percevejo barriga-verde.

O ciclo de vida total do percevejo-barriga-verde dura aproximadamente 42 dias, sendo que, da fase de ovos até a fase adulta, passando por todos os instares, o inseto passa por volta de 27 dias.

* Os nomes científicos Dichelops furcatus e Dichelops melacanthus foram alterados respectivamente para Diceraeus furcatus e Diceraeus melacanthus.

Percevejo asa-preta-da-soja (Edessa meditabunda)

O percevejo asa-preta (Edessa meditabunda) apresenta um grau de risco relevante para as culturas, por isso, o manejo é indispensável para manter a população dessa praga sob controle.

Assim como as pragas anteriores, este percevejo possui seu nome associado à sua característica principal, que são suas asas pretas que contrastam com o dorso de cor verde. Já as ninfas apresentam cor em tons de amarelo a verde com alguns pontos vermelhos em seu dorso.

Os ataques mais severos ocorrem em períodos de temperaturas mais elevadas, causando danos em várias estruturas da planta, tais como ramos, hastes e vagens. O percevejo asa-preta-da-soja apresenta enorme potencial de dano e as perdas podem chegar a 30%.

Percevejo verde-pequeno (Piezodorus guildinii)

Outra espécie de percevejo que também causa grande preocupação aos agricultores é o percevejo verde-pequeno (Piezodorus guildinii).

Esta praga, quando adulta, apresenta como característica principal a cor verde com um risco transversal próximo ao pronoto de cor vermelho escuro. Porém ao longo do seu ciclo de vida, suas características sofrem alterações.

Os danos para a lavoura são consideráveis. Caso não seja controlado, cada percevejo por metro quadrado pode causar perdas de até 73,5 kg/ha durante seu período de ataque, 35 dias.

O percevejo pequeno ou verde-pequeno geralmente surge no período de floração, ou seja, antes das formações das vagens, o que causa um aumento populacional precoce e aumenta os riscos de perdas. Ao se alimentar, este percevejo causa grandes lesões, devido às enzimas salivares que são liberadas no processo de sucção.

Até chegar a fase adulta passam-se por volta de 25 dias e diversas mudanças de tamanho e colorações. Chegando a fase adulta, o percevejo atinge até 1 cm. Ao total, na cultura da soja, os percevejos podem chegar a viver por 50 dias, se não realizado o manejo corretamente.

Galeria dos percevejos

Percevejo marrom

Nome científico: Euschistus heros

Culturas alvo: soja, algodão girassol e pastagens

Nossas soluções:  Racio ®, Vivantha ®

Percevejo barriga-verde

Nome científico: Diceraeus melacanthus

Culturas alvo: milho, trigo e sorgo

Nossas soluções: Vivantha ®

 

Percevejo barriga-verde

Nome científico: Diceraeus furcatus

Culturas alvo: milho, sorgo e trigo

Nossas soluções: ÍmparBR ®

Percevejo asa-preta

Nome científico: Edessa meditabunda

Cultura alvo: soja

Quais os fatores que explicam o aumento da infestação de percevejos nas lavouras de soja e de milho?

Um dos principais fatores que explicam o aumento da infestação de percevejos nas lavouras de soja e milho são as mudanças climáticas. Segundo o pesquisador da Desafios Agro, o aumento da temperatura pode a acelerar o ciclo da praga. “Com ciclos menos extensos, as pragas tendem a atingir a fase adulta mais rápido, e assim, ampliar os danos a cultura.”

Outro aspecto que também influencia o aumento da infestação é que os percevejos estão se aproveitando cada vez mais das plantas daninhas, utilizando-as como hospedeiras. Nesse sentido, o manejo de plantas daninhas torna-se uma ação fundamental para aumentar a eficácia do controle preventivo desses insetos sugadores.

Além disso, o pesquisador também destaca a necessidade de eliminar as plantas tigueras, ou seja, plantas de culturas anteriores que permanecem na lavoura após a colheita e que podem servir de hospedeiras de insetos, como por exemplo, os percevejos. “Sem dúvida, hoje, os maiores problemas são o clima, plantas daninhas e tigueras”, complementa Tomquelski.

Além disso, o especialista destaca que o controle natural, ou seja, alimentação dos inimigos naturais dos percevejos vem diminuindo ano após ano. “Trabalho com pragas como essas desde 1998 e percebo que no passado tínhamos um controle natural um pouco maior.”

Monitoramento de percevejos durante o ciclo da soja

O monitoramento é a uma das principais ferramentas para auxiliar a elaboração do manejo integrado de pragas (MIP). Essa ação possibilita ao agricultor mensurar o nível de infestação da praga, e assim, definir a melhor estratégia para o controle dos percevejos.

“O percevejo está no sistema de produção e cada vez em números maiores. Muitas vezes a infestação acontece na fase inicial da cultura. Portanto é necessário o monitoramento antes da implantação da lavoura e assim realizar uma estratégia de manejo.”

Além disso, com a grande variedade de cultivares, os ciclos tendem a ser mais indeterminados, forçando o percevejo a causar danos em momentos em que não era necessária a intervenção do produtor para o controle dessa praga.

Uma importante medida no monitoramento é o pano de batida, onde é verificada a presença das pragas nas plantas de soja, sendo que apenas em uma observação não seria capaz de identificar. Porém, o especialista orienta que se deve ter atenção, pois as pragas podem não cair no tecido.

Na cultura do milho o barriga-verde (Diceraeus melacanthus e Diceraeus furcatus) também deve ser observados com atenção. Ao fim da tarde, com as temperaturas amenas, os insetos costumam sair para se alimentar e se proliferar. Assim, os insetos podem ser identificados com mais facilidade.

Porém, o especialista ressalta que durante o dia essa identificação também pode ser realizada. “Às vezes durante o dia, em determinados momentos o agricultor consegue ver a planta murchando e, provavelmente, lá estará a praga.”

Manejo de plantas hospedeiras

Um dos fatores que proporcionam a consolidação da população dos percevejos são as plantas daninhas hospedeiras, que, além de disputarem com as plantas de soja e milho, servem de abrigo para as pragas.

No caso específico do percevejo barriga-verde (Diceraeus melacanthus e Diceraeus furcatus), o pesquisador conta que a praga não necessita da planta da soja para se manter, pois há a presença da soja tiguera, onde a praga se alimenta e começa a se reproduzir até iniciar a lavoura da soja. “Comumente, estamos vendo pelo Brasil, lavouras de soja com ovos e ninfas desse percevejo.”

Portanto, a eliminação das hospedeiras pode enfraquecer a população das pragas e possibilitar um maior controle dos percevejos.

Controle químicos de percevejos

Além do monitoramento da praga e a eliminação das plantas hospedeiras, o controle químico também é uma ferramenta essencial no planejamento estratégico, visando o manejo de percevejos. Nesse sentido, recomenda-se o uso de inseticidas no tratamento de sementes para a manutenção e desenvolvimento do stand inicial da lavoura.

De acordo com Germison, os danos causados no início do desenvolvimento da lavoura são menores em relação aos ataques que ocorrem na fase final do ciclo, mas ainda deve-se ter atenção. “Os prejuízos causados no início do desenvolvimento da cultura podem variar entre uma a duas sacas de soja, porém, com o preço atual da commodity é um valor considerável”, destaca o pesquisador.

Já no milho, o especialista comenta que as perdas pelos ataques do percevejo barriga-verde podem chegar a 30% da produtividade.

O pesquisador destaca que ativos como tiametoxan, clotianidina e imidacloprido apresentam alta eficácia no controle de percevejos no tratamento de sementes.  Do portfólio da Ourofino Agrociência, o ÍmparBR® é destaque para este trabalho. O produto é altamente sistêmico e possui o registro para diversas culturas, entre elas o milho. O inseticida pertence ao grupo dos neonicotinoides, reconhecidamente efetivo para o controle de sugadores e pragas de solo, como o barriga-verde.

Uma importante característica do ÍmparBR® é sua alta solubilidade, que proporciona grande disponibilidade no solo e auxilia na rápida absorção pela raiz e, com isso, melhor distribuição na planta.

Controle em pós-emergência da cultura

Além do controle químico no tratamento de sementes, o manejo pós-emergência também é uma das medidas para reduzir a população de percevejos da soja e do milho. Para isso, os neonicotinoides em junção com os piretróides e o acefato também são muito efetivos.

Segundo o especialista, o acefato auxilia no controle de percevejos na fase reprodutiva. Já na fase de ninfas, a recomendação é a associação dos piretróides com os neonicotinoides

“Nesta estratégia de manejo, a ação de choque representa cerca de 60% a 70% do controle. Porém, sabemos que não conseguimos atingir todas as pragas que atacam a lavoura. Dessa forma, entram os neonicotinoides para complementar a estratégia com seu longo período de controle”, complementa o pesquisador.

Para os neonicotinoides, a Ourofino Agrociência apresenta o Vivantha® uma solução recém-lançada de aplicação foliar para o controle de percevejos em diversas culturas, dentre elas, a soja e o milho. Este produto chega ao mercado para ampliar as opções de soluções para a manutenção da sua lavoura.

O Vivantha® é um inseticida de ação sistêmica, amplo espectro de controle, além de sua boa flexibilidade, que possibilita sua associação com outras moléculas, como os piretroides para um controle efetivo dos percevejos.

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