Análise: O que esperar do mercado de milho em 2020?

Canal Digital, Podcast

Confira no quinto episódio do podcast Fala, Agro! um balanço da safra brasileira de milho verão.

Análise do mercado de milho em 2020

por Leonardo Antolini - Kleffmann | Episódio 05

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A colheita da safra de milho verão atingiu a marca de mais de 80% da área no Brasil. A produção estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), é de 25 milhões de toneladas, resultado 1,5% inferior à safra passada.

Segundo pesquisa realizada pela Kleffmann Brasil, a área de biotecnologia BT e RR na safra de milho verão cresceu 10%, impactando o manejo de lagartas e plantas daninhas.

No cenário externo, os Estados Unidos reduziram drasticamente o consumo  por etanol de milho, o que pode reduzir o preço da commodity internacionalmente.  Entretanto, a elevação no preço do dólar e a demanda interna aquecida por aves e suínos, tendem a assegurar o preço do milho no mercado brasileiro.

Veja abaixo os principais destaques da entrevista com o Diretor de Pesquisa da Kleffmann, Leonardo Antolini.

Principais numero da safra brasileira de milho verão

“Na região Centro-Sul a colheita está praticamente finalizada, esperamos uma produção superior a 25 milhões de toneladas, resultado 1,5% menor em relação a safra passada”

“Segundo os dados da nossa pesquisa do AMIS/ Kleffmann, a área cresceu pouco mais de 2%, impulsionada pelo preço do milho que se mantere superior a U$9,00 por saca ao longo do ano todo. Isso fez com que o produtor investisse em tecnologias para ter produtividade no ciclo 2019/2020”.

“O destaque negativo vai para a área de silagem que caiu 11%, tivemos uma redução grande no número e produtores de leite no Brasil. Por outro lado, quem permanece no mercado sãoprodutores mais tecnificados”.

Aumento da área de biotecnologia BT e RR

 “Foi um aumento bastante significativo, casa dos 10%, saindo de 70% para 80% a área com uso de biotecnologias. Isso confirma que o produtor está investindo em tecnologias de semente e transgênicos”.

 “O principal impacto disso foi no manejo de lagarta, reduzindo o uso de “lagartecidas” e também de aplicações em geral. Tivemos uma mudança de postura, com o agricultor migrando de inseticidas fisiológicos para produtos à base de amidas e até mesmo de benzoato que é utilizado no controle de lagartas”.

 “Outro ponto de destaque é que essa mudança favorece o manejo de plantas daninhas com atrazina e glifosato nas aplicações pós-emergência. Ou seja, isso modificou bastante o manejo de herbicidas também”.

Principais mudanças no uso de fungicidas

“O mercado de fungicidas de milho  vinha com a adoção crescente ao longo dos últimos três anos, mas agora tivemos uma redução, saído de 71% para 46% o número de agricultores que utilizam fungicidas na safra de milho verão”.

“Observamos também os agricultores estão adotando produtos mais baratos. Nota-se o uso de produtos  como estrobilurinas e triazóis, mas também de mancozebe e triazós sem as estrobilurinas misturadas”.

“Mesmo com essa queda, ressaltamos que o mercado de fungicidas está bastante consolidado no milho e podemos ter crescimento do uso dessas tecnologias nos próximos anos”.

Perspectivas para o cenário externo

 “Embora o preço em reais, no Brasil, esteja muito bom,  devemos nos atentar para os preços no mercado internacional que podem impactar o preço aqui também. Nos Estados Unidos temos uma demanda menor por combustíveis, impactando no etanol e essa produção que é de dupla aptidão, ou seja, pode ser usada tanto para grãos como para etanol, ela pode sofrer impactos globais e afetar o Brasil”.

 “Com relação ao consumo de proteína animal o mercado tendem a se aquecer com a volta do consumo mundial, principalmente pela demanda asiática.  Apesar desse cenário ser positivo o produtor deve ficar atento e travar a margem, aproveitar esse momento para trabalhar os contratos futuros e se proteger de eventual queda de dólar”. 

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