A gestão das cadeias agroindustriais e a nova narrativa do agro

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Processo de transformação digital pode facilitar o relacionamento entre os agentes da cadeia

  ** Data da publicação 29/03/2021

Principais Destaques

  • A importância da transformação digital na gestão agroindustrial;

  • Participação de investidores no setor de distribuição;

  • Nova narrativa para o agronegócio brasileiro.

A importância da transformação digital na gestão agroindustrial

“Sem dúvida o agronegócio brasileiro tem potencial para dobrar de tamanho, e isso é mais que um desejo, é uma necessidade. Se não dobrar, o país não cresce na proporção que deveria.”

“Precisamos dobrar o agro para que toda a sociedade brasileira possa usufruir desse crescimento econômico, que somente o ele vai nos permitir. As indústrias de base brasileira (minério, petróleo e gás) não criam capilaridade como o agribusiness cria.”

“Não sei se ajuntamento é a palavra, mas sim a administração ou gestão, esse é o sinônimo de agribusiness. O termo não é sinônimo de pecuarista e nem de agricultor, pois eles são elos de uma corrente que forma o complexo sistema de agribusiness. É uma reunião e gestão de muitos setores.”

“Cada elo dessa corrente é uma parte do negócio, e, por exemplo, se a gestão da cadeia produtiva da pecuária de corte não for bem feita, esses elos ao longo da cadeia sofrem. O produtor rural é o elo mais frágil da cadeia do agronegócio e o mais dependente de um planejamento.”

“Quando uma cadeia é desorganizada, nós podemos assistir a morte dela, como vimos há 25 anos com a produção de algodão que morreu por falta de inteligência e organização. Se reconstruiu e o Brasil deixou de ser importador de algodão e passou a ser exportador com uma cadeia muito bem administrada e moderna.”

“A gestão da cadeia produtiva é o sinônimo do agronegócio, dessa forma, o papel das lideranças é fundamental. Nesse sentido, o mundo digital ajuda muito, pois ele permite rastreabilidade, blockchain e permite que os vários elos da cadeia produtiva se comuniquem melhor.”

“As informações irão para as gôndolas dos supermercados, onde os consumidores saberão quem fez o derivado de suíno, frango, etc. Tudo fará parte do programa de integração de informações digitalizadas do agronegócio.”

Participação de investidores no setor de distribuição

“Acredito que [a participação de grupos de investidores] pode beneficiar o setor, colocando uma gestão mais homogênea na distribuição sob o ponto de vista de vendas para produtores, pois essa venda é uma atividade educadora, para vender um insumo para o produtor, sempre terá que promover uma educação.”

“Nesse sentido, tendo grupos fortemente treinados e preparados, pode-se ter uma melhoria mediana na qualidade das vendas. Dessa forma, o que vamos ver no campo, é o que vimos no varejo, onde grandes grupos se consolidaram.”

“A Magazine Luiza está vendendo insumos para produtores. A empresa colocou em seu e-commerce alguns produtos mais comuns como o sal mineral, por exemplo. Ou seja, uma rede do varejo está iniciando vendas para a agropecuária.”

“Esses grupos [de investidores] chegaram e terão grande importância no banco de dados da originação, à medida que possam estar conectados com organizações que buscam boa qualidade de originação de grãos e produtos.”

“O Brasil terá algo muito precioso no futuro do alimento, uma originação de qualidade. Portanto essas redes de distribuição servem tanto para venda de tecnologia como para envolvimentos, por exemplo, os programas de barter e trocas, tendo também uma melhor previsibilidade do que podem comprar e assegurar para os clientes internacionais.”

“Entendo que [as redes de distribuição] não vão eliminar a pequena revenda, pois ela tem o seu papel. Não podemos esquecer que o Brasil tem cerca de cinco milhões de propriedades agrícolas, dessas, por volta de um milhão são acessadas por grandes revendas e cooperativas, dessa forma, ainda temos quatro milhões que são acessadas pelo pequeno revendedor.”

Nova narrativa para o agronegócio brasileiro

“A agricultura e pecuária estão dentro do agronegócio, mas eles não são responsáveis por responder por uma série de aspectos que o agronegócio está sendo cobrado. O agronegócio planetário está sob uma crise de confiança, devido a problemas com qualidade de alimentos, carne fraca, salmonela e até a própria covid-19, ou seja, o mundo do alimento está ligado à saúde.”

“Nesse cenário, o agricultor e pecuarista são os lados mais confiáveis do processo, pois são famílias produtoras, todas dentro de uma busca científica, onde sabem que precisam elevar os seus índices e são muito cobrados pela qualidade do que produzem.”

“Os grandes problemas que o agro tem que enfrentar não são causados pelos agricultores, mas sim como a qualidade industrial além da porteira da fazenda está trabalhando, como o varejo mantem da qualidade dos produtos frescos, como as informações nutricionais chegam aos consumidores e também a ciência que antecede ao produtor.”

“O setor de ciência terá que se comunicar com o consumidor final, pois ele irá querer saber quais tipos de insumos foram usados no derivado que está consumindo.”

“A governança caberá às agroindústrias e aos supermercados que totalizam cerca de 90 mil lojas e 27 milhões de brasileiros passam por elas todos os dias, ou seja, todo o sistema tem que se comunicar mais com o consumidor final.”

“Cabe compreender que os agricultores são o elo mais frágil, pois estão em uma atividade de muitos fatores incontroláveis e precisa ter a seu favor um planejamento estratégico das principais cadeias produtivas do Brasil, pois os agricultores trabalham com uma visão de longo prazo.”

“As cooperativas são fundamentais para garantir a vida digna de milhões pequenos e médios, que são, necessariamente, produtores e têm que estar envolvidos em um bom cooperativismo. Cooperativismo significa boa liderança e muita confiança.”

“Portanto temos pela frente ótimas oportunidades muito acima de problemas.”

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