Mitos e verdades sobre o uso de defensivos agrícolas no Brasil

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Diálogo com a sociedade é o melhor remédio no combate as “fake news”

  • Importância dos insumos agrícolas para o aumento da produtividade no Brasil

  • Produção de alimentos orgânicos

  • Mitos e verdades sobre o uso de defensivos agrícolas

  • Desvendando os números

  • Diálogo com a sociedade

Existem muitos mitos a respeito do uso de defensivos agrícolas no Brasil, porém, a verdade é que a produção de alimentos no ambiente tropical é um desafio para o setor produtivo. Para enfrentar a pressão de pragas e doenças é preciso ter um pacote tecnológico adaptado às características da agricultura local.

Nesse sentindo, os defensivos agrícolas são um importante aliado do agricultor para alcançar a alta performance. Entretanto, muitos mitos são criados sobre o assunto, gerando uma imagem pejorativa do setor junto a sociedade.

Essa semana conversamos com o jornalista Nicholas Vital, autor do livro “Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo” e do podcast “EU COMO: , sobre a importância dos defensivos agrícolas para a produção de alimentos em larga escala e como desenvolver um diálogo com a sociedade para desmistificar algumas falácias sobre o setor.

Veja abaixo os principais pontos da entrevista.

Importância dos insumos agrícolas para o aumento da produtividade no Brasil.

“Os insumos agrícolas foram fundamentais para a revolução verde que ocorreu no Brasil nas últimas décadas. É importante ressaltar que até os anos 80 o Brasil era importador de alimentos básicos, como arroz e feijão, o que gerava uma dependência de outros países”.

 “Com a fundação da Embrapa, em 1972, o Brasil passou a investir em ciência e tecnologia para produção de alimentos. Esse foi um dos maiores programas de educação da história do país. Milhares de pesquisadores foram enviados para várias partes do mundo para entender como ocorria o processo produtivo nas mais diferentes regiões. Eles tinham como missão trazer para o Brasil esse conhecimento e adaptar essa tecnologia as nossas condições”.

 “Desde então, o Brasil deu salto tecnológico, a produtividade das lavouras cresceu substancialmente e isso permitiu que o país se tornasse autossuficiente na produção de alimentos e, mais recentemente, uma potência mundial na produção de alimentos”.

Produção de alimentos orgânicos

 “A produção de alimentos orgânicos, embora tenha crescido, é um nicho de mercado, não só aqui no Brasil, mas também no exterior. Sabemos que é inviável produzir em larga escala de forma orgânica, para oferecer produtos à preços acessíveis à população é preciso produzir em escala”.

 “Os orgânicos no Brasil representam menos de 1% do mercado e é um produto dirigido exclusivamente as classes mais ricas, são pessoas que tem a opção de escolher o que vão comer. Entretanto, a grande maioria do país não tem essa opção”.

 “Vale lembrar que mesmo em países mais ricos, onde a população não tem tantos problemas econômicos, os orgânicos também têm baixa penetração de mercado. Na Dinamarca, país que mais consome produtos orgânicos no mundo, esses produtos representam apenas 7% do mercado. Os Estados Unidos, que é o maior mercado em volume do mundo, os orgânicos representam 5% do mercado”.

 “Existe sim espaço para os alimentos orgânicos e essa linha de produtos desse crescer nos próximos anos, porém, ainda seguirá sendo um nicho de mercado”.

Mitos e verdades sobre o uso de defensivos agrícolas

 “A narrativa de que o brasileiro ingeri em média 5,2 litros de agrotóxicos por ano é um mito. Os autores dessa fábula estimaram em 1 bilhão de litros o consumo de agroquímicos no Brasil, o que está errado ,pois, essa medida deve ser feita em toneladas de princípio ativo e não na água que você mistura para fazer a calda. Com isso, eles dividiram esse volume pela população brasileira na época que era de 192 milhões de pessoas e, com isso, chegou-se a essa média de 5,2 litros de produto por indivíduo no país”.

 “Porém, cerca de 80% dos agroquímicos são utilizados em culturas não alimentícias. A soja, por exemplo, consome metade dos agroquímicos no Brasil, temos ainda o algodão, cana-de-açúcar e o milho que, ao contrário do que as pessoas pensam, é destinado a fabricação de ração e outra parte é exportada. Uma outra parte dos agroquímicos no Brasil é destinado a pastagens. Ou seja, somente cerca de 10% do volume total de defensivos utilizados no Brasil são direcionados a produtos alimentícios como frutas, verduras e legumes”.

 “Somado a isso, é importante ressaltar que os agroquímicos são o remédio da planta, ou seja, assim como os seres humanos tomam medicamentos quando estão com algum problema e, passado algum tempo esse remédio vai se exaurindo do nosso corpo, com a planta ocorre o mesmo processo. Os produtos aplicados nas plantas, como fungicidas, inseticidas e herbicidas, apresentam um tempo de carência. Se esse período for respeitado não haverá consumo de resíduos de produto”

Desvendando os números  

 “O Brasil é o único país entre os principais produtores de alimentos no mundo que é capaz de produzir o ano todo, com duas safras. Se por um lado isso é uma vantagem do ponto de vista de versatilidade na produção, por outro temos pressão de pragas e doenças o tempo todo. Por isso, o Brasil utiliza mais agroquímicos em volume que os Estados Unidos, por exemplo, que produz somente uma safra”.

 “Entretanto, essa conta não é justa, pois, o Brasil é o país com maior área agricultável no mundo. Então, o correto seria fazer essa conta por hectare ou pela produção total de alimentos e nesse aspecto o Brasil não está nem entre os dez mais consumidores de agroquímicos no mundo. O maior usuário de defensivos é o Japão, país com maior expectativa de vida no mundo, eles utilizam os produtos ,pois, eles tem um território pequeno e não podem se dar ao luxo de ter perdas na produção. Então eles fazem uma agricultura altamente tecnificada e isso resulta em um uso maior de agroquímicos”.

Veja os países que mais utilizam defensivos agrícolas no mundo.

Diálogo com a sociedade

 “Durante muitos anos os agroquímicos foram atacados por vários setores como ambientalistas e agora os influenciadores. No começo não houve respostas a essas falácias e a repetição da mensagem gerou uma imagem pejorativa”.

 “Mais recentemente, o setor começou a se mobilizar r viu a importância da reputação perante a sociedade. Com isso, as empresas passaram a conversar também com o consumidor final, que na maioria das vezes é a população urbana, mesmo não sendo o cliente direto”.

 “Essa mudança tem ocorrido de maneira mais intensa nos últimos cinco anos, porém, como as pessoas ficaram expostas por muito tempo a uma onda de informações erradas fica mais difícil mostrar a realidade para a sociedade. Estamos avançando, mas a comunicação não é uma corrida de 100 metros e sim uma maratona, é preciso seguir fazendo esse trabalho e mesmo assim, vai demorar alguns anos para equilibrar esse jogo”. 

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