Para entender a importância da indústria de defensivos agrícolas para a agropecuária brasileira, a Reimagine Agro conversou com João Sereno Lammel, engenheiro agrônomo e vice-presidente Agroquímico da Abifina (Associação Brasileira da Indústria de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades). Com vasta experiência no mercado de proteção de cultivos, Lammel é também presidente da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo e Conselheiro da Ourofino Agrociência

Reimagine Agro: Como o senhor avalia a importância do agronegócio para o país?

João Sereno Lammel: Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento de 0,2% no segundo trimestre de 2018, em relação aos três primeiros meses do ano, tendo o setor agropecuário em destaque. Contudo, para manter e expandir esses números, o segmento e o país precisam evoluir. Entre as medidas necessárias para o desenvolvimento estão o aumento da produtividade, a geração de renda para o agricultor e a garantia de abastecimento interno e de excedentes para exportação.

E o setor de defensivos agrícolas, qual sua relevância para o agro?

Considero uma peça-chave na cadeia agropecuária para alcançar e superar as metas. Entretanto, é um mercado altamente dependente de importações, carece de iniciativas e correções, como uma estrutura tributária equilibrada para estimular a produção local e reduzir a dependência externa.

Como avalia a instabilidade na oferta de matéria-prima no setor?

Competitivas e dinâmicas, as empresas de defensivos vivem uma instabilidade no mercado devido às mudanças na indústria química chinesa. Os impactos dessa reestruturação já estão sendo sentidos pela falta de produtos e pelo aumento dos custos das importações. Certamente, essa situação ainda irá gerar repercussões importantes no futuro. Já em terras brasileiras, outros fatores que dificultam o crescimento e a inovação são ausência de previsibilidade na aprovação de produtos e falta de incentivo para formulação local. Prazos não são cumpridos e os trâmites são morosos, reduzindo e atrasando o lançamento de soluções para a agricultura brasileira. Nesse cenário, é essencial aumentar a produção em solo nacional, para diminuir a dependência de importações. Para isso, o governo precisa de uma política estável e de incentivo.

Quais as principais vantagens em se produzir no Brasil?

São muitas, dentre as principais estão: a empresa atua com mais independência e pode gerar soluções adaptadas ao clima brasileiro. Também fazem parte dos destaques a autonomia na produção e maior domínio da tecnologia. Mas, o Brasil ainda carece desse sistema e seus líderes deveriam se preocupar em ter uma indústria forte. Atingir esse objetivo depende de muitos fatores, como políticas industriais de incentivo à produção local de produtos técnicos e formulados.

Falando do mercado agrícola, qual seu papel na economia?

É um dos principais motores do país. O produtor nacional, além de plantar e colher, precisa considerar diversas variáveis da sua operação — como clima, época de plantio, compra de insumos, tratamento de solo, acesso ao crédito, entre outras —, incluindo as condições mercadológicas que impactam seu negócio, como por exemplo: câmbio, preços, custos, armazenagem, etc. Na indústria, a realidade não é diferente, e os cenários cada vez mais complexos, se mostram todos os dias desafiadores. A competitividade enfrentada no mercado de defensivos agrícolas faz com que todos busquem melhorias constantes nas operações.

Que caminho seguir para superar estes desafios?

A tomada de decisões estratégicas para a produção agropecuária requer, principalmente, conhecimento e prática, mas as indústrias também são partes essenciais para obtenção de uma boa safra, com produtividade e rentabilidade. É preciso entender o mercado para dosar os planos e as ações, a fim de aumentar a competitividade dos agricultores e das empresas e colher bons frutos para o Brasil.

João Sereno Lammel é engenheiro agrônomo, vice-presidente Agroquímico da ABIFINA, presidente da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo e Conselheiro da Ourofino Agrociência

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