O objetivo deste artigo é contar que o Brasil começou, no dia primeiro de janeiro, uma nova gestão com o presidente Jair Bolsonaro. Sua equipe de trabalho já está completa e a promessa é de um país bem mais liberal que facilitará, em termos de eficiência do estado, em termos de redução de impostos, o jeito que fazemos negócio e a maneira como atraímos negócios internacionais.

O mais importante e promissor, em minha opinião, é o agronegócio, setor que sofreu uma revolução nos últimos 25-30 anos, aumentando muito as áreas produtoras e as exportações do país.

E não podemos falar sobre o agronegócio brasileiro e oportunidades em crescimento sem mencionar a China, país que se tornou um grande parceiro do Brasil. Hoje, é nosso maior cliente pois criamos uma “ponte de alimentos” com a China. Os chineses vieram ao Brasil nos anos 2000 e compraram cerca de 500 milhões de dólares em alimentos e produtos do agronegócio. Em 2018, esse número ficou em cerca de 30 bilhões de dólares. Somente no ano passado, acompanhamos um crescimento de mais de 30% na importação de soja, 50% nas importações de carne, 60% em papel e celulose e 140% em algodão. Com isso, China e Brasil construíram essa “ponte de alimentos” e se complementam no que produzem e vendem.

As oportunidades são boas para investimentos porque a área do Brasil está crescendo quase 1 milhão de hectare por ano, portanto a área atual do Brasil está em torno de 62 milhões de hectares e vai crescer para 72 ou 73 milhões de hectares quando falamos sobre grãos, chegando a 85 milhões de hectares quando adicionamos florestas, cana-de-açúcar, frutas e outros. E esses 85 milhões produzidos no Brasil nos próximos 10 anos representam apenas 10% do total de terra que o país tem. Portanto será algo bastante sustentável e ligado ao que as companhias demandam no mundo e à economia chinesa, com a nova onda de preservação, responsabilidade e certificações observada atualmente.

E, além das possibilidades de crescimento em área agricultável, veremos também a produção de carne no Brasil aumentar de 27 milhões de toneladas para 40 milhões de toneladas nos próximos 10 anos. Veremos também os grãos brasileiros crescendo de 230 milhões para 300-330 milhões de toneladas em 10 anos. As exportações do agronegócio dos próximos 10 anos trarão para o Brasil 1,2 trilhões de dólares. É um número gigante. Além das oportunidades de investimentos no processamento da produção agrícola e distribuição de insumos agrícolas que os chineses já estão presentes no Brasil, eu vejo várias oportunidades de investimentos em infraestrutura, porque o governo atual planeja privatizar estradas, ferrovias, portos, aeroportos, e imagine que a movimentação de toda essa produção agrícola vai precisar de vários investimentos vindos de fora do Brasil para melhorar a infraestrutura e tornar nossa produção ainda mais competitiva.

Penso que os próximos 10 anos serão excelentes para intensificar o relacionamento de companhias chinesas com as companhias brasileiras, o governo chinês com o brasileiro, pesquisadores brasileiros e chineses porque as oportunidades vão aparecer e será muito interessante viver esse período para saber aproveitá-las.

Marcos Fava Neves, especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio

Ficou interessado? Quer saber mais?

Compartilhar

Compartilhe essa notícia com seus amigos!