Herbicidas para cana: inovação em formulações

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** Data da pubicação 18/08/2021

Herbicidas para cana: inovação em formulações

por Caio Carbonari - Professor da UNESP - Botucatu/SP | Episódio 28

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Qual a importância da inovação em formulações para aumentar a desempenho dos herbicidas para cana?

O desenvolvimento de uma nova molécula no segmento de herbicidas para a cana demanda grandes investimentos e tempo para aperfeiçoamento da tecnologia. O processo é dividido em várias etapas que variam desde a identificação de oportunidades de melhoria, levando em consideração as características do sistema produtivo, passando por avaliações de laboratório e de campo até o registro final nos órgãos reguladores.

De acordo com Caio Carbonari, professor da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu, o número de novas moléculas para herbicidas para a cana vem diminuindo nos últimos anos, mas o especialista vê esse cenário também como oportunidade. “Em contrapartida temos mais oportunidades de desenvolver inovações mais adaptadas ao sistema de produção da cana-de-açúcar no Brasil.”

Nos casos de herbicidas para cana pré-emergentes, Carbonari conta que umas das preocupações até pouco tempo atrás era garantir a estabilidade do produto, prazo de validade e uniformidade no tanque de pulverização.

O desenvolvimento de novas tecnologias e o enriquecimento do setor científico proporcionaram o avanço das formulações no que diz respeito ao comportamento dos herbicidas no ambiente de aplicação.

Para realizar o desenvolvimento de uma nova formulação é preciso primeiro mapear o comportamento da molécula no sistema de produção de cana. “A partir disso, produzimos mudanças na formulação de forma a minimizar os principais processos que contribuem para a redução da eficácia dos herbicidas”, explica Carbonari.

“As novas formulações visam melhorar a desempenho dos herbicidas, proporcionando, por exemplo, melhor transposição do produto da palha para o solo. Além disso, é possível evitar as perdas por fotodegradação, decorrentes da exposição da molécula às elevadas temperaturas”, complementa o professor.

Como é o processo de inovação de formulação dos herbicidas para cana?

A primeira etapa do processo de desenvolvimento de uma nova formulação consiste em mapear as oportunidades de melhoria em todas as interações dos herbicidas no ambiente.

“Avaliamos a interação dos herbicidas desde a aplicação, deposição, alvo, além do comportamento do produto na palha e do tempo de degradação à exposição solar quando presente na cobertura morta”, explica Carbonari.

Somado a isso, são monitorados também outros aspectos como a translocação do produto da palha para o solo com a ocorrência de chuvas e as perdas através do contato com a água.

“Quando falamos em inovação para a agricultura tropical brasileira, o ponto mais importante é diagnosticar as particularidades do ambiente e identificar onde podemos interferir para diminuir as perdas e tornar o herbicida mais efetivo no manejo de plantas daninhas”, acrescenta o professor.

Herbicidas para cana: exemplo de inovação de formulações para a Agricultura Brasileira

Um exemplo de formulação que foi desenvolvida levando em consideração as características do sistema produtivo da cana-de-açúcar é o herbicida Kaivana® 360 CS. Esse produto é um herbicida seletivo que pode ser utilizado em pré e pós-emergência para o controle das principais gramíneas em diferentes épocas do ano.

Graças ao seu sistema de microencapsulamento, o ativo é liberado gradativamente, diminuindo as perdas por volatilização, aumentando sua disponibilidade e transpondo-se da palha até o solo.

Segundo Carbonari, a formulação microencapsulada proporciona uma série de benefícios na aplicação. “A molécula está protegida por um polímero que reduz a volatilização no trajeto da cobertura morta até o alvo. Além disso, esse herbicida é altamente seletivo e se desloca mais facilmente ao entrar em contato com a água em comparação com a formulação tradicional de clomazone”, explica o professor.

Outra vantagem é que a formulação microencapsulada possibilita a liberação gradativa do ativo no solo. “No caso dos herbicidas pré-emergentes não é preciso ter toda a dose disponível no solo no momento da aplicação, pelo contrário, na maioria dos casos, aplica-se uma dose maior com o objetivo de aumentar o residual do produto no fechamento da cultura”, ressalta Carbonari.

Benefícios da formulação microencapsulada

 

  • Redução das perdas por volatilização;

  • Seletividade (segurança na aplicação);

  • Diminuição de perda por lavagem;

  • Liberação gradativa do ativo no solo (maior período residual).

Herbicida PonteiroBR ®

Ainda nesse contexto, outra formulação que foi desenvolvida pensando em melhorar o desempenho da formulação em cana crua foi o herbicida PonteiroBR® . Esse produto é um herbicida seletivo, de ação sistêmica, usado em pré-emergência para o controle de plantas daninhas de folhas largas e estreitas.

“A formulação apresenta suspensores, partículas e componentes adequados que permitem uma boa passagem do herbicida pela cobertura morta e uma maior entrega no solo”, destaca Carbonari.

Inovação em formulação de herbicidas para cana: um caminho sem volta

Para o especialista, a inovação de formulações em herbicidas é algo que veio para ficar. Segundo ele, o investimento vai aumentar ainda mais e será de forma cada vez mais frequente.

Apesar disso, os novos herbicidas devem ser avaliados e terem sua eficiência comprovada, algo realizado pelos institutos de pesquisa no Brasil, como a Unesp de Botucatu, onde o professor Carbonari atua. “Não dá para generalizar que uma inovação que permitiu avanços em um produto  também garantirá para outro, mas certamente existem inúmeras oportunidades e há produtos no mercado que já incorporaram essas inovações com muito sucesso e estão colhendo os frutos disso.”

Conheça o Ciclo 100, o programa da Ourofino Agrociência para o setor canavieiro

Sempre mantendo o propósito de Reimaginar a Agricultura Brasileira como norte de suas atividades, a Ourofino Agrociência possui o Ciclo 100, um programa com o portfólio mais completo para o manejo de plantas daninhas, combate a pragas e doenças durante todo o ciclo da cana-de-açúcar.

O Programa Ciclo 100 contempla soluções que, ao serem combinadas, conseguem manter a proteção da lavoura o ano todo, seja em épocas secas, úmidas e transitórias, como semissecas e semiúmidas.

Além disso, a companhia possui equipes altamente qualificadas para orientar o produtor sobre o momento certo de utilização das ferramentas do Ciclo 100, garantindo toda a eficiência dos produtos e os ganhos industriais da cana-de-açúcar.

Perguntas frequentes:

O que são herbicidas?

Os herbicidas são agentes biológicos ou substâncias químicas capazes de controlar o crescimento de espécies específicas. As substâncias químicas se dividem em orgânicas, que envolvem a maioria dos herbicidas utilizados atualmente, ou inorgânicas. Já os agentes biológicos estão os fungos e outros microrganismos.

Como é feita a classificação dos herbicidas para cana?

Herbicidas seletivos

Um herbicida seletivo tem como característica principal não afetar a cultura, ou seja, deve agir somente na planta daninha, permitindo com que a cana-de-açúcar ou outra planta, consiga manter seu crescimento estável. Além disso, os herbicidas seletivos devem ser metabolizados pela planta, mas sem causar nenhum efeito adverso nela, apenas na planta daninha.

Herbicidas não-seletivos

Os herbicidas não-seletivos são aqueles que atuam em todas as espécies de plantas e, geralmente, são indicados para o uso em aplicações de dessecação ou dirigidas. Com o surgimento da biotecnologia é possível tornar um herbicida não-seletivo seletivo a um determinado biotipo de planta, como por exemplo, a soja transgênica resistente ao glifosato.

Qual o período de aplicação dos herbicidas?

Geralmente, o período de  aplicação dos herbicidas esta relacionado à planta cultivada, mas para melhor recomendação é importante verificar o estádio de desenvolvimento da planta daninha, como épocas PP – Pré-plantio; PPI – Pré-plantio incorporado; PRE – Pré-emergência; PÓS – Pós-emergência inicial ou tardia.

Quais os mecanismos de ação dos herbicidas?

Os herbicidas são classificados por grupos químicos e de acordo com o seu mecanismo de ação. O mecanismo de ação deve ser considerado principalmente em situações específicas, como o manejo de resistência de plantas daninhas a herbicidas. As soluções que possuem o mesmo mecanismo de ação geralmente causam os mesmos sintomas nas plantas, são aplicados com mesmo método e têm, em geral, limitações e toxicologia semelhantes.

Os herbicidas possuem locais específicos para agir, denominados “sítios de ação”, aos quais se ligam inibindo funções vitais na planta. A maioria dos sítios são enzimas. Ao ligar ao sítio de ação, o herbicida paralisa ou retarda reações bioquímicas. Além disso, existem diversas enzimas em cada célula, mas, geralmente, somente uma é afetada por uma determinada molécula.

Principais mecanismos de ação dos herbicidas para cana

Inibidores de ACCase; Inibidores de ALS;
Inibidores de polimerização da tubulina; Mimetizadores de auxina;
Inibidores de FS II; Inibidores da síntese de ácidos graxos de cadeias longas;
Inibidores de EPSPs; Inibidores de glumatina sintase (GS);
Inibidores da síntese de carotenoides; Inibidores de Protox;
Inibidores da síntese de ácidos nucléicos e de proteínas; Inibidores do FS I, Descoloração: Inibição 4-hidroxifenil-piruvato- dioxigenase  (4-HPPD).

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